O HOMEM QUE SABIA JAVA 3
Pois é, velho Barreto! Já ensinei Java 3! Se não sabe, nem eu. Não sabia e não sei. E tenho medo de quem sabe. Logo eu! Que minha placa mãe é madrasta! Hardware é o que posso chutar. Software, o que só posso xingar. Sempre preferi Gogol ao Google. E quando desligo o aparato, juro que pra mim aparece: Seu computador já pode ser arremetido pela janela com segurança… Depois que voltei de Brasília? Não; antes. E, por isso, fui nomeado. Alto cargo na Esplanada! Se conto mais essa? Conto. Se bebo mais uma? Bebo.
Um homem de boteco é um homem de amigos! E um deles estava no bar. E oferecia um cargo, sei lá. Perguntou quem sabia, ou conhecia quem soubesse, nem o sabiá sabia, Java 3. Ninguém sabe. Sabe? Eu sei! Java 3? Ninguém sabe que é Java! Muito menos o 3! Ali estava um cargo que não tinha concorrência. Se descobrisse na internet uns três comandos, não sei, conceitos, códigos, vai, iria à tal entrevista…
Já em casa, consultei a Wikipedia. Linguagem de programação? Orientada a objeto? James Gosling? Compilada? Bytecode? Fala baite ou fala bite? Dicionário. Fala baite. Baitecoude. Cousa assim. Máquina virtual? Public class? Public static? Void main? String? Estranho! Não fazia sentido pra mim. Estava pronto! Salvei tudo no meu celular. Quem precisa de memória é bar!
E eu estava lá! Diante do Secretário e Tal do Escambau, enfim, de uma repartição pública aí. Que se informatizara. A repartição. Licitação, Novos softwares. O tal de Java 3. E ninguém mexia com aquilo. Pois eu mexo! O Secretário chamou todos. Vejam só! Esse é o Lima! Um gênio! Ele sabe Java 3! E o cargo era meu. Professor de Java 3! Bicho de sete cabeças. Talvez três! Três meses depois, desistiram de aprender. De entender. E o cargo era meu. Em comissão. Por confiança. Dispensava um tal concurso. Diretor Técnico de Serviço. O Lima sabe Java 3! Um fulano com inveja – não, mais – ódio, interferiu. Eu sei Parrot, o senhor sabe? Disse não e nem liguei. Eu sabia Java 3!
Como eu fazia? Não fazia. Fazia o que todos faziam. Aprendi com quem não fazia. Anotei num caderninho. Deu problema? Reinicie! Continua? Reinstale! Na terceira? É o hardware! E levo o micro para casa. Ora, então sacrifico o décimo terceiro salário. Décimo-terceirizava o problema. Por fora. Subi de cargo. Diretor de Divisão! Ele sabe Java 3! Ameacei cair fora! Fizeram uma reforma. Merecia um aumento! E o cargo era meu. Diretor de Departamento!
Fui pra congresso, seminário! Cheguei a Secretário. Mas não era concursado. Dependia da vontade. Dos outros. Pra ficar. Ou da minha. Se estudasse. E passasse. No concurso.
Bem-vestido, bem-dormido, bem-comido e bem-pago, só faltou ter estudado. Quem precisa de memória? Prestei concurso pra tudo. Oficial, escrevente, juiz. Mas não podia celular! Na prova! Só no bar.
Mas minha fama só crescia. O homem sabe Java 3! Me consultavam especialistas. Por e-mails, chats, sites. E citavam o meu saber. Rejeitei até cadeira. Professor Honoris Causa.
Escrevi pra suplementos. Globo, Estado, Clarín. Fechei o Gogol e fui ao Google. Fui ao celular também. Se nunca duvidaram? Nunca! Uma vez tive um perrengue. Me chamaram numa empresa. Multinacional e coisa. Com toda a pompa que cabia. Deu um tilt, coisa assim. Mobilizou autoridades. Que não souberam resolver. Titubeei, rezei e fui. E olha que nem santo eu tenho. Resolveram o problema. Antes que eu mostrasse intento. Sei lá que cargas d’água fez o treco funcionar. Se quiser, é só chamar!
E lá fui eu pra Europa. Congresso de computação. Me inscreveram em mesa errada. Google e Outros Buscadores. Yahoo! Que disso eu manjo. Dessa tinha escapado. Com as desculpas do Prefeito. Que já virou Deputado. Que me leva aonde for. Como cabo ou assessor. E que agora é Ministro. Volto amanhã para lá.
Fantástico? Fantástico. Mas se não fosse feliz, não estivesse contente, seria cirurgião-plástico. Cirurgião eminente. Botox, essas coisas, lipo. Se bebo mais uma? Bebo!
Um homem de boteco é um homem de amigos! E um deles estava no bar. E oferecia um cargo, sei lá. Perguntou quem sabia, ou conhecia quem soubesse, nem o sabiá sabia, Java 3. Ninguém sabe. Sabe? Eu sei! Java 3? Ninguém sabe que é Java! Muito menos o 3! Ali estava um cargo que não tinha concorrência. Se descobrisse na internet uns três comandos, não sei, conceitos, códigos, vai, iria à tal entrevista…
Já em casa, consultei a Wikipedia. Linguagem de programação? Orientada a objeto? James Gosling? Compilada? Bytecode? Fala baite ou fala bite? Dicionário. Fala baite. Baitecoude. Cousa assim. Máquina virtual? Public class? Public static? Void main? String? Estranho! Não fazia sentido pra mim. Estava pronto! Salvei tudo no meu celular. Quem precisa de memória é bar!
E eu estava lá! Diante do Secretário e Tal do Escambau, enfim, de uma repartição pública aí. Que se informatizara. A repartição. Licitação, Novos softwares. O tal de Java 3. E ninguém mexia com aquilo. Pois eu mexo! O Secretário chamou todos. Vejam só! Esse é o Lima! Um gênio! Ele sabe Java 3! E o cargo era meu. Professor de Java 3! Bicho de sete cabeças. Talvez três! Três meses depois, desistiram de aprender. De entender. E o cargo era meu. Em comissão. Por confiança. Dispensava um tal concurso. Diretor Técnico de Serviço. O Lima sabe Java 3! Um fulano com inveja – não, mais – ódio, interferiu. Eu sei Parrot, o senhor sabe? Disse não e nem liguei. Eu sabia Java 3!
Como eu fazia? Não fazia. Fazia o que todos faziam. Aprendi com quem não fazia. Anotei num caderninho. Deu problema? Reinicie! Continua? Reinstale! Na terceira? É o hardware! E levo o micro para casa. Ora, então sacrifico o décimo terceiro salário. Décimo-terceirizava o problema. Por fora. Subi de cargo. Diretor de Divisão! Ele sabe Java 3! Ameacei cair fora! Fizeram uma reforma. Merecia um aumento! E o cargo era meu. Diretor de Departamento!
Fui pra congresso, seminário! Cheguei a Secretário. Mas não era concursado. Dependia da vontade. Dos outros. Pra ficar. Ou da minha. Se estudasse. E passasse. No concurso.
Bem-vestido, bem-dormido, bem-comido e bem-pago, só faltou ter estudado. Quem precisa de memória? Prestei concurso pra tudo. Oficial, escrevente, juiz. Mas não podia celular! Na prova! Só no bar.
Mas minha fama só crescia. O homem sabe Java 3! Me consultavam especialistas. Por e-mails, chats, sites. E citavam o meu saber. Rejeitei até cadeira. Professor Honoris Causa.
Escrevi pra suplementos. Globo, Estado, Clarín. Fechei o Gogol e fui ao Google. Fui ao celular também. Se nunca duvidaram? Nunca! Uma vez tive um perrengue. Me chamaram numa empresa. Multinacional e coisa. Com toda a pompa que cabia. Deu um tilt, coisa assim. Mobilizou autoridades. Que não souberam resolver. Titubeei, rezei e fui. E olha que nem santo eu tenho. Resolveram o problema. Antes que eu mostrasse intento. Sei lá que cargas d’água fez o treco funcionar. Se quiser, é só chamar!
E lá fui eu pra Europa. Congresso de computação. Me inscreveram em mesa errada. Google e Outros Buscadores. Yahoo! Que disso eu manjo. Dessa tinha escapado. Com as desculpas do Prefeito. Que já virou Deputado. Que me leva aonde for. Como cabo ou assessor. E que agora é Ministro. Volto amanhã para lá.
Fantástico? Fantástico. Mas se não fosse feliz, não estivesse contente, seria cirurgião-plástico. Cirurgião eminente. Botox, essas coisas, lipo. Se bebo mais uma? Bebo!