O FITILHO
O fitilho. Com uma sacola de mercado ou sei lá dependurado. Varava a estrada. De uma árvore até a mão da menina. De feições alienígenas. País de muitos mundos. Talvez fosse a face da maturidade. Precoce. De quem tem que ganhar seu pão. E de seu irmão. Sentado no chão. Talvez a cara da fome. Porque fome não tem face, tem cara. Sem expressão na cara, dispara um me dá um dinheiro. Na janela do meu carro.
Bloqueio na estrada? Seqüestro? Cilada? Menina? Fitilho? Silêncio. E continua. Com um se não tivé dinheiro reticente. Pausa dramática. E olha para o lado. E olha para o outro. E devo estar cercado. Não sou homem de posses. Seu pai, irmão, algozes. E roubado. E perdido. Pode ser biscoito. Serão seis, serão sete, serão oito? Biscoito? Foi o que ela disse? E os oito?
Não tem oito nem ninguém. Só eu e a menina. Seu irmão também. Pequeno, barrigudo, ramelento. Os dois no relento. Eu mato, eu bato ou parto? Com a dor do parto. Da pobreza que os pariu.
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