Tuesday, August 19, 2008

ESTE BLOG MUDOU!

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OS DESMANDAMENTOS!

É só clicar aqui para entrar.

Entrevistei no NOVO BLOG o escritor João Anzanello Carrascoza. Está bem interessante.

Se quiser ler a entrevista, clique aqui.

Ou entre em: http://osdesmandamentos.blogspot.com/.

E, logo abaixo da entrevista, tem um conto meu inédito. Que estará no meu próximo livro! Seja bem-vindo e fique à vontade!

Um blog atualizadíssimo - dia a dia, hora a hora - com as últimas notícias sobre Literatura, Música, Cinema, Literatura, Arte, Prêmios e Concursos literários, Literatura, Teatro, Filosofia e Literatura. Lá também antecipo contos do meu próximo livro e publico poemas do meu último, homônimo ao blog. Seja bem-vindo! Deixe seu comentário! E se puder divulgar, agradeço.

Posted by Leocadio at 21:07:21 | Permalink | Comments (1) »

Tuesday, May 13, 2008

HABEAS CORPUS

É grã-fina, mas está aqui. Estelionato. Deu golpe na praça. Um-sete-um. Tem que pegar cana mesmo. Tá pensando que é só pobre que vai preso? Meteram a madama no xilindró. A madama quer café? A madama está a pé! A madama ninguém quer.

Sofreu aqui dentro a coitada. Apanhou, mas de dar dó. Socialite dos Jardins. Dona Zazu era da alta. Vivia no Iguatemi. Sóbria, séria, comportada. Era pudica e recatada. Respeitada na embaixada.

Grande exemplo de esposa. Ela servia de modelo. Pras peruas e raposas dos lados do Morumbi. Estelionato. Um-sete-um.

E sabia se portar. Falar, comer, se vestir. Mas diz que tinha era um caso. Dava pro tal de Valdir. Porteiro, zelador, sei lá. Do condomínio onde morava. Duplex chique, coisa assim. Diz que tinha piscina, o escambau. Seu Valdir, homem grosseiro, mas gostava de servir. De confiança do grã-fino.

Mas ninguém era de ferro. Quem sabe latão, ou cobre. A grã-fina, o pobre. Que não era de se jogar fora. Ela. E só quem sabia era o porteiro. Ele.

Bronco, mas de confiança. A grã-finagem já dizia. Um dia subiu pra arrumar. Resistência, ducha, enfim. Quem tem resistência é pobre! O chuveiro, claro. Assim, talvez fosse o encanamento. Ela foi pedante e pronto. Ele não levou pra casa. O desaforo. Foi pro quarto.

Ela deu um tapa nele, ele deu um tapa nela, ela foi parar lá longe e deu no que deu na janela. Seu Valdir já perdeu antes. Emprego, por ser grosseiro. Dessa vez, ele ganhou. Amante a fim de apanhar.

Lá quem mandava era ele. Na ausência do marido. Para o caldo não esfriar. Diz que a madama chamava, provocava, apanhava, dava e dormia. E ele, já pra portaria. E ela aprendeu a andar.

Por suas próprias pernas. Abriu a porta dos Jardins, contornou Higienópolis, se pôs livre no mundo. Pra encontrar com vagabundo. Ia em sauna, ia em clube. De chicote e salto-agulha. Vendeu o poodle que era pink. Mas ficou com a coleira. Enfim, gozou. Foi a primeira. No catiripapo e peia.

À noite, voltava o marido. Caiu no deck solarium? Escorregou no ofurô? Torceu, deu mau jeito no treking? No treco? No tronco? No troço? Que raio de casa é essa, Zazu? Por que não chamou o porteiro? É pra isso que pagam o Valdir. E Zazu ria sem sorrir.

Um dia, o marido cismou. Cortou a mesada, voltou. O cheque dessa sex shop. Diga em voz alta três vezes. O cheque dessa sex shop. O cheque dessa sex shop. O cheque dessa sex shop. Voltou o danado três vezes. Não podia cobrir já há meses. Nem ela, nem quem a cobria. De porrada, prazer e alegria.

Também sabia bater. Como o cheque, batia e voltava. Notificação. Oficial de justiça. E o marido não cobria. Nem o cheque. Nem sabia. Como explicar?

Notificação. Oficial de justiça. Não tinha com, nem pra quem contar. Pois eu conto. Conto. Por cem conto. Cana. Foi pro pau. Tá presa. No processo consta. Toda a compra feita.

Muito couro, algemas. Espinho, corrente. Tinha até mordaça. Está lá nos jornais. Da tarde e da hora. Na Oscar Freire, presa. Algemada afora. Passando um caução.

Foi pega em flagrante. De calças na mão. No cheque. Na bolsa. Celular. Balcão. Na porta. No poste. No homem passando. No camburão velho. Almofada-carimbo. Na ficha, na grade, no rosto, no chão.

Teve a vida devassada. Mal falada na Lorena. Quem desdenha quer comprar. Da Ouro Fino ao Q!Bazar. E o pior você não sabe. Ela gostou muito de cá. Gostou da algema, dos sopapos. Dos maus-tratos dos colegas. Que não gostam de bacana. Já entrou com habeas corpus. Pediu mais uma semana.

Posted by Leocadio at 15:54:36 | Permalink | Comments (5)

Wednesday, January 23, 2008

O HOMEM QUE SABIA JAVA 3

Pois é, velho Barreto! Já ensinei Java 3! Se não sabe, nem eu. Não sabia e não sei. E tenho medo de quem sabe. Logo eu! Que minha placa mãe é madrasta! Hardware é o que posso chutar. Software, o que só posso xingar. Sempre preferi Gogol ao Google. E quando desligo o aparato, juro que pra mim aparece: Seu computador já pode ser arremetido pela janela com segurança… Depois que voltei de Brasília? Não; antes. E, por isso, fui nomeado. Alto cargo na Esplanada! Se conto mais essa? Conto. Se bebo mais uma? Bebo.
Um homem de boteco é um homem de amigos! E um deles estava no bar. E oferecia um cargo, sei lá. Perguntou quem sabia, ou conhecia quem soubesse, nem o sabiá sabia, Java 3. Ninguém sabe. Sabe? Eu sei! Java 3? Ninguém sabe que é Java! Muito menos o 3! Ali estava um cargo que não tinha concorrência. Se descobrisse na internet uns três comandos, não sei, conceitos, códigos, vai, iria à tal entrevista…
Já em casa, consultei a Wikipedia. Linguagem de programação? Orientada a objeto? James Gosling? Compilada? Bytecode? Fala baite ou fala bite? Dicionário. Fala baite. Baitecoude. Cousa assim. Máquina virtual? Public class? Public static? Void main? String? Estranho! Não fazia sentido pra mim. Estava pronto! Salvei tudo no meu celular. Quem precisa de memória é bar!
E eu estava lá! Diante do Secretário e Tal do Escambau, enfim, de uma repartição pública aí. Que se informatizara. A repartição. Licitação, Novos softwares. O tal de Java 3. E ninguém mexia com aquilo. Pois eu mexo! O Secretário chamou todos. Vejam só! Esse é o Lima! Um gênio! Ele sabe Java 3! E o cargo era meu. Professor de Java 3! Bicho de sete cabeças. Talvez três! Três meses depois, desistiram de aprender. De entender. E o cargo era meu. Em comissão. Por confiança. Dispensava um tal concurso. Diretor Técnico de Serviço. O Lima sabe Java 3! Um fulano com inveja – não, mais – ódio, interferiu. Eu sei Parrot, o senhor sabe? Disse não e nem liguei. Eu sabia Java 3!
Como eu fazia? Não fazia. Fazia o que todos faziam. Aprendi com quem não fazia. Anotei num caderninho. Deu problema? Reinicie! Continua? Reinstale! Na terceira? É o hardware! E levo o micro para casa. Ora, então sacrifico o décimo terceiro salário. Décimo-terceirizava o problema. Por fora. Subi de cargo. Diretor de Divisão! Ele sabe Java 3! Ameacei cair fora! Fizeram uma reforma. Merecia um aumento! E o cargo era meu. Diretor de Departamento!
Fui pra congresso, seminário! Cheguei a Secretário. Mas não era concursado. Dependia da vontade. Dos outros. Pra ficar. Ou da minha. Se estudasse. E passasse. No concurso.
Bem-vestido, bem-dormido, bem-comido e bem-pago, só faltou ter estudado. Quem precisa de memória? Prestei concurso pra tudo. Oficial, escrevente, juiz. Mas não podia celular! Na prova! Só no bar.
Mas minha fama só crescia. O homem sabe Java 3! Me consultavam especialistas. Por e-mails, chats, sites. E citavam o meu saber. Rejeitei até cadeira. Professor Honoris Causa.
Escrevi pra suplementos. Globo, Estado, Clarín. Fechei o Gogol e fui ao Google. Fui ao celular também. Se nunca duvidaram? Nunca! Uma vez tive um perrengue. Me chamaram numa empresa. Multinacional e coisa. Com toda a pompa que cabia. Deu um tilt, coisa assim. Mobilizou autoridades. Que não souberam resolver. Titubeei, rezei e fui. E olha que nem santo eu tenho. Resolveram o problema. Antes que eu mostrasse intento. Sei lá que cargas d’água fez o treco funcionar. Se quiser, é só chamar!
E lá fui eu pra Europa. Congresso de computação. Me inscreveram em mesa errada. Google e Outros Buscadores. Yahoo! Que disso eu manjo. Dessa tinha escapado. Com as desculpas do Prefeito. Que já virou Deputado. Que me leva aonde for. Como cabo ou assessor. E que agora é Ministro. Volto amanhã para lá.
Fantástico? Fantástico. Mas se não fosse feliz, não estivesse contente, seria cirurgião-plástico. Cirurgião eminente. Botox, essas coisas, lipo. Se bebo mais uma? Bebo!
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Tuesday, December 4, 2007

O COPO DE ARROZ CRU

E mordida de jegue é arroz-doce? Pense uma vida difícil. É ônibus, trem, dia quente. Meu marido mantinha a casa. Cobrador. Venceu na vida. Não sofria mais em obra. Pegar peso, quebrar pedra. Deixou a unha crescer. Do dedo mindinho. Assim. Tem estilo. Não peleja mais com braço. Trabalha com a inteligência! Cobrador. Venceu na vida. Tenha estilo! Ele tem. O meu marido.
Mas pense uma vida difícil. Muita conta. Muito carnê. Mas tinha fogão e tevê! A geladeira já estava atrasada. O dinheiro é que a gente vai ver. Tia Nêga bem que me disse.
– Pega um copo de arroz cru! Bota no canto da sala. Assim atrás do sofá. Que ninguém vê e ninguém sabe.
Diz que traz abundância, não sei. Tenha estilo! Não pense bestagem! Abundância é coisa de comer! Que não deixa faltar. Passar fome. Fartura? Isso! Fartura.
Apois pense uma vida difícil. E traficante não pede pedágio? Pra quem vai trabalhar! Tinha que acordar mais cedo! Pra não ter que pagar. Tenha estilo! Não dou dinheiro pra safado! Cortaram a cabeça de meu neto. Largaram no ponto de ônibus. No banco assim de graça.
Pense uma vida difícil! É dinheiro do tráfico, trem. Do busão e até do ladrão! É muito dinheiro que gasta. Pra ir trabalhar.
E gente velha parece desgraça. Ninguém quer bangalô três vezes! Meu marido tem estilo, viu? Deixou a unha crescer. Do dedo mindinho. Comprida assim. A firma não quis mais ele. Afirma não ter dinheiro. A fim de cortar o custo. Mas meu marido é Zé Augusto. Meu marido tem estilo. Comprida assim. Deixou a unha.
Já fez bem um ano assim. Sem emprego, dinheiro, doente. O carnê indo atrás da gente. Eu tinha fogão e tevê! A geladeira já levaram. O resto tive que vender. Um ano a pão e água.
Mas ontem o pão acabou. Bem no inverno, a comida esgotou. Na noite em que eu ia morrer, de fato, de fome, fraqueza. Ao chão, moribundos, com frio. Encontramos no copo o arroz cru.
Tenha estilo! Fiz logo um sopão! Comemos. Sorrimos. Dormimos. Tia Nêga não tinha razão? Não morremos de fome à noite. Pra passar por mais fome de dia. Dinheiro? Não. Tenha estilo! Vim aqui atrás de serviço.
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Thursday, July 19, 2007

DO CHÃO NÃO PASSAVA

Apois quem disse? Que do chão não passava? Tocou o chão. Alívio dos aerofóbicos. E pronto. Derrapa, explode e mata. Vinte conto de álcool, por favor. E cai um airbus na cabeça. Aperte o três pra mim, por favor. E o treco explode, que merda! Muito triste, muito choro, muita vela. A fatalidade é inelutável. E é isso mesmo. Não é pleonasmo. Fatalidade é fatalidade. Ponha o pé no chão! Só não me vai derrapar. Não adianta deixar de voar. De abastecer. Estacionar. De viver. Fatalidade é fatalidade. Pista, ranhura, chuva? Piloto, Infraero, capeta? O Pan! da TAM, caixa preta? O sistema aéreo brasileiro? Esse está podre faz tempo. Uma hora iria ruir. Mas não bem aqui. No meio da cidade. Fatalidade. É isso aí.

 

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Thursday, July 12, 2007

O SEXO DOS AUTORES

Se Nelson Rodrigues estivesse morto, não poderia ter escolhido o seu melhor terno, a sua melhor gravata, o seu melhor sapato e chegar, a nado, meia hora antes da abertura da V Festa Literária Internacional de Paraty. Não o teria encontrado vagando – com um ar indubitável de prêmio Nobel – pelas irregulares vielas de pedra. Tentei interpelá-lo, mas torci meu tornozelo – que exigia mais zelo do que torno – em mais um vão. E, em vão, levantei a cabeça. Era tarde demais. Desaparecera na multidão de pseudo-coxos. Então resolvi me preocupar com a vergonha enrustida da queda. Endireita o corpo, finge que o tropicão foi planejado, algo pra apanhar, sei lá, seu Pantera no porão autografado antes que toque o chão. Uma técnica nova. Aumenta a velocidade. Algo oriental. Marcial. Sempre há quem acredite. Espero. E mira o horizonte até dobrar a esquina. Se eu tivesse conseguido uma palavrinha com o Nelson (só muita proximidade ou a maior das distâncias geram tal intimidade), não perguntaria o que está achando da FLIP este ano, nem se estava – era nítido – prosa com a homenagem, ou onde fica a Rua da Matriz. Eu desabafaria: - Tenho uma crônica pra entregar na quarta e ainda não sei o assunto. (Lógico, não antes de pedir um autógrafo n’A cabra. A vadia. O livro.) E Marcelino Freire, caramigo, me sugeriu: - “Sexo! Escreva sobre sexo!”. Se ele acha que me ajudou, está muito do enganado. Fez é me atrapalhar. Uma das minhas idéias latentes – daquelas que ainda não estão maduras o suficiente para se dizer que já se tem um assunto – era a esse respeito. Eis o que eu queria dizer. Muito se ouve sobre o sexo dos anjos, mas pouco se fala sobre o sexo dos autores. Dirá alguém que anjo, garçom e autor não tem sexo. Como autor não tem sexo? Como? E como! Como! E se como logo existo. E na tenda dos autores, só não arma a barraca quem é ruim da cabeça ou doente do pé. E entenda pé como quiser. Quase-rima não à toa. É só pra levar na boa. É só para amenizar. Autor não tem sapinho! Autor não tem lepra! Autor também trepa! Tem autor que ama autor, tem o que ama leitor. O que come, o que quer dar. O que prefere variar. O que quer dor; outros, sem dor. Autor também é ser humano. Mês passado – ou será antes? –, num uísque com Raimundo, o Carrero – eu pedi chope –, Marcelino revelou-me: - “Tem muito escritor que reclama. Mas reclama de pau duro!”. Eu discordei e completei: - “Então é de saco vazio!”. Os dois logo concordaram. O Freire e o Carrero, hoje homem sério, apaixonado e tudo, mas que já teve seus tempos. De fama, ou de cama, ou de saco, vazio, sei lá. Autor também é ser humano. Mas eu estava dizendo: - Não há coisa pior para um escritor do que alguém lhe sugerir uma idéia que ele já teve. Os brios do bom escritor são dilacerados com a suspeita do plágio. Deixa-se de escrever um bom texto por orgulho. Ora, o regozijo do bom escritor é ser original. E quando a idéia é de fato sua, a agonia é tanto maior. Muitos já quiseram me dar opinião. E eu pedi que se calassem. Lá lá lá lá lá, não tô ouvindo nada! Depois que eu escrever, você me conta. Coisa e tal. No entanto, o Sexo! do Marcelino fora fulminante. (Uau! Isso pode pegar mal. Ou bem. Não sei.) Não era uma pergunta. Era um desabafo. Mal deu tempo de desembainhar meu dedo. O assunto estava sugerido. A agonia autoral iniciada. E o prazo – sempre o prazo – terminando – sempre terminando. O que alivia, e muito, a nossa consciência. E passamos a acreditar que a idéia foi nossa mesmo e o resto é balela. Se Nelson Rodrigues estivesse morto, não o teria visto no outro lado da ponte, resignado com a fanta uva zero da grã-fina. Talvez encontre o chica-bon. Ainda vende. Eu acho. E imagino que o assunto desta crônica o agrade. Uma dama do fretado aqui, um vestido de autora ali, uma best-sellerzinha, mas ordinária, acolá. Sei lá. Se Nelson Rodrigues estivesse morto, não estaria aqui, nessa crônica. Não estaria na FLIP deste ano. Não estaria tão vivo.
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Saturday, April 28, 2007

CASA DAS ROSAS DESCONCERTADAS

Entre concertos e consertos, eu prefiro Os Desconcertos. Na Paulista. A avenida. São os encontros realizados pelo escritor e roteirista. Claudinei Vieira. No casarão da literatura. A Casa das Rosas. Em São Paulo. Com os escritores que estão realizando o melhor da mais. Contemporânea literatura brasileira. Os autores levam três textos para compartilhar com o público. Um texto próprio. Inédito ou não. Outro, de autor consagrado. Muito importante. Para sua formação. E mais um. De autor novo. No ovo, Saindo. Ainda pouco conhecido. Ainda. Mas do bom. Um papo descompromissado e informal. Público e autor. Trocando idéias e impressões. Sábados sensacionais. Sensações. Tentações. Ilusões alusões revisões. Imperdível. Perdições. Neste sábado, 28 de abril, é a Maria Alzira. Texto escorreito e límpido. De suave terna meiga ferroada. Vai trazer uma atriz. Carla Modesto. Textos do Efraim Medina Reyes. Cidinha da Silva também. E tu? Não vais? Ficar pra trás é pra capataz. Desconcertado? www.desconcertos.com.br

 

MARIA ALZIRA BRUM LEMOS. “Coadjuvante e colaboradora em geral. Doutora em Comunicação e Semiótica, editora, tradutora, co-organizadora de eventos. Escreve para pensar, aprender, perguntar, estar aí, fazer coisas com palavras, viver. Livro solo O Doutor e o Jagunço: ciência, cultura e mestiçagem em Os Sertões (Arte&Ciência). Coletâneas: Tierra en trance: el cine latinoamericano en cien películas (Alianza), O Clarim e a Oração: cem anos de Os Sertões (Geração), Contos Cruéis: as narrativas mais violentas da literatura brasileira (Geração), Chico Buarque do Brasil (Garamond); Quartas Histórias: contos inspirados em narrativas de Guimarães Rosa (Garamond).” www.laoutra.blogspot.com

 

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NOVOS POTIGUARES

Novos Potiguares. Esses Jovens Escribas. Do Rio Grande. Do Norte. Carlos Fialho escrevia. Seu primeiro livro. Procurou outros dos seus. Jovens escritores. Em Natal. Descobriu um turbilhão. Juntou-se com mais três. Patrício. O Jr.. Daniel. O Minchoni. E Thiago. O de Góes. Surgiu a idéia. Um selo literário. Que publicasse jovens autores locais. As obras. Divulgasse a nova produção potiguar pelo Brasil. Incentivasse outros escritores a debutarem nas letras. Foi lançado o primeiro. Verão Veraneio. De Carlos. O Fialho. Não um pontapé inicial, mas um chute no saco. Para Patrício. Que quis lançar o seu. Lítio. Contos Bregas do de Góes. É Tudo Mentira! Do Fialho. Outro. E, bem, Escolha o Título. Do Minchoni. Escritores, sem dúvida. De inteligência e sagacidade. Espírito empreendedor e amor. Por sua arte. A literatura. Que, como a rapadura, é doce. Mas não é mole não. Nomes como Nei Leandro de Castro, Tarcísio Gurgel, Xico Sá e Marcelino Freire e Clotilde Tavares. Leitores e incentivadores. www.jovensescribas.com.br

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O FITILHO

O fitilho. Com uma sacola de mercado ou sei lá dependurado. Varava a estrada. De uma árvore até a mão da menina. De feições alienígenas. País de muitos mundos. Talvez fosse a face da maturidade. Precoce. De quem tem que ganhar seu pão. E de seu irmão. Sentado no chão. Talvez a cara da fome. Porque fome não tem face, tem cara. Sem expressão na cara, dispara um me dá um dinheiro. Na janela do meu carro.

Bloqueio na estrada? Seqüestro? Cilada? Menina? Fitilho? Silêncio. E continua. Com um se não tivé dinheiro reticente. Pausa dramática. E olha para o lado. E olha para o outro. E devo estar cercado. Não sou homem de posses. Seu pai, irmão, algozes. E roubado. E perdido. Pode ser biscoito. Serão seis, serão sete, serão oito? Biscoito? Foi o que ela disse? E os oito?

Não tem oito nem ninguém. Só eu e a menina. Seu irmão também. Pequeno, barrigudo, ramelento. Os dois no relento. Eu mato, eu bato ou parto? Com a dor do parto. Da pobreza que os pariu.

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Thursday, October 26, 2006

ANACRONISMO

Ainda não nasceu?

Ainda não andou?

Ainda não falou?

Ainda não cresceu?

Ainda não namora?

Ainda não transou?

Ainda não casou?

Ainda não tem filhos?

Ainda está casado?

Ainda não tem neto?

Ainda não casou de novo?

 

No de novo, o novo é velho.

Quem merece, ou não merece,

Fica velho, amadurece,

E começa a viver:

 

                                                            Ainda está vivo?

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